Um dia que começou com o objetivo de exercício de cidadania, de limpar a praia e preservar a beleza de Itacimirim, transformou-se em uma das mais poderosas demonstrações de força e união que nossas comunidades já viram. O plano era simples: durante nossa ação de educação ambiental e limpeza, alguns dos barcos pesqueiros que estavam estacionados na areia, seriam puxados para o mar. A Prefeitura havia prometido tratores para a tarefa pesada. Mas por motivo de força maior, eles não puderam comparecer.
No momento em que o apoio da máquina faltou, a comunidade de Itacimirim mostrou seu verdadeiro poder.
Diante do imprevisto, a descrença poderia ter tomado conta. Mas, como quem conhece o mar também conhece a imprevisibilidade das marés, nossas comunidades estavam preparadas. Com a liderança e a experiência de Lucilene Brito, mais conhecida como “Galega”, que vem escrevendo uma brilhante trajetória nos últimos anos como presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras local, e está também, como membro diretora do CONSEG, a decisão foi imediata: “Vamos puxar no braço!”.
A missão não era apenas solucionar a questão, era demonstrar um sentimento, enviar uma mensagem. Era mostrar, através de uma ação complexa, que o nosso proposito e compromisso com Itacimirim e Barra do Pojuca, vão bem além de cuidar das nossas praias e cumprir rigorosamente os critérios do Programa Bandeira Azul. Naquele momento, era necessário, estimular o sentimento de pertencimento, comover o engajamento entre as pessoas das comunidades heterogêneas envolvidas, em prol de algo muito maior, o bem comum, que aflorou a força intrínseca, que pulsa no coração de cada pessoa que vive e ama este lugar.
O que se viu a seguir, foi um espetáculo de solidariedade. A corda que deveria ser puxada por um trator, foi agarrada por dezenas de mãos. E não eram apenas as mãos calejadas dos nossos bravos pescadores e marisqueiras. Eram moradores, turistas que passavam, homens, mulheres e até oficiais da segurança pública que participavam do evento. As crianças que ali estavam, admiraram o movimento com expressões de respeito, interesse e felicidade em testemunhar tal feito. Todos se tornaram um só corpo, uma só força, com um único objetivo.
Segundo Galega, “A puxada dos barcos, é uma tradição milenar, presente até hoje na cultura da pesca artesanal e um movimento muito simbólico entre os pescadores! É a comunhão entre eles, significa a renovação, a alegria em estarem juntos se ajudando, cooperando e celebrando a força da união de um povo.” Naquele momento, esse ato ancestral uniu o pescador ao turista, o morador ao visitante, e reescreveu seu significado: agora, também simboliza a união das nossas comunidades.
Um Hino à Solidariedade
As imagens que eternizam esse momento, capturadas pelas lentes do nosso vizinho, o experiente fotógrafo Antônio Vieira — que já possui um vasto acervo profissional sobre os pescadores locais e habilmente se prontificou a “capturar” esse momento épico. Sabíamos que aquele esforço coletivo seria poderoso e precisava ser registrado. Embora tenha havido uma intenção em documentar, a cena foi completamente orgânica, verdadeira e de uma relevância imensa para a nossa história.
Gunnar, também membro da diretoria, traduziu o sentimento em palavras que ecoam a profundidade do que aconteceu:
“Em um mundo fragmentado, essas imagens gritam ‘nós’ em vez de ‘eu’. A união não é abstrata; é física, tátil — ombros colidindo, risos misturados a grunhidos, o peso compartilhado que alivia o fardo… A cena de muitas pessoas unidas para lançar um barco rústico de pescador ao mar carrega um valor poético profundo, quase bíblico em sua simplicidade e grandiosidade. É uma metáfora viva da união humana contra o vasto e o imprevisível… não é só um ato prático de sobrevivência — é um hino à solidariedade, à teia invisível que nos liga uns aos outros.”
O que ficou na areia da praia não foram apenas as marcas do arrasto de um barco. Foi a marca indelével da nossa união. Enquanto o poder público nos deixou na mão, nós nos demos as mãos. E provamos que a força mais potente de Itacimirim não vem de motores, mas da energia coletiva de sua gente.
Essas são as nossas comunidades. Esse é o CONSEG Itacimirim e Barra do Pojuca em ação.


